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quarta-feira, 17 de março de 2010

O MinC e a Cultura Digital

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A ação Cultura Digital é o instrumento que permitirá a apreensão do que existe de mais “palpável na cultura brasileira, o nosso patrimônio imaterial” (discurso no ato de entrega do Prêmio Mérito Cultural – Ministro Gilberto Gil), dando visibilidade e circulação à produção dos Pontos de Cultura: os tambores do Tocantins, o samba do Recôncavo, a ciranda de Pernambuco, a viola do Brasil Central…

Com a Cultura Digital, as comunidades poderão gravar sua própria imagem, como acontece com o Ponto de Cultura Vídeo nas Aldeias, com os índios Ashaninka e Kaxinawá, no estado do Acre, em que há uma inversão no tradicional processo de registro da imagem audiovisual das manifestações populares. Ao invés de serem filmados por um olhar externo, os índios são capacitados para utilizar uma câmera de filmagem, fazer roteiros e edição, e assim, se apresentam por eles mesmos. Outro Ponto de Cultura, Thydewá – índios on line, apresenta um processo semelhante interligando em rede os índios do nordeste brasileiro, principalmente nos estados da Bahia e Alagoas; as comunidades estão sendo capacitadas para produzir a sua página na internet, criando um sistema de comunicação próprio, fortalecendo o seu protagonismo.

Com a Cultura Digital, cada Ponto recebe um estúdio multimídia. É um equipamento nada sofisticado, quase caseiro (mesa em dois canais de áudio, filmadora, gravador digital e dois computadores que funcionam como ilha de edição), mas permite gravar um CD, produzir um vídeo, colocar uma rádio no ar e uma página na internet, tudo com programas em software livre. O equipamento digital deixa de ser apenas um meio, uma ferramenta e passa a ser entendido em sua dimensão filosófica, por isso o tratamos como cultura. Desta forma, cada comunidade pode gravar sua música, registrar sua imagem e colocá-las no ar, exercitando o processo de troca cultural entre os Pontos. Pela internet será possível produzir um programa de rádio com pessoas em diversas regiões do País (e mesmo em outros Países), ou então compor uma música coletivamente, experimentar novos sons, ritmos, timbres…; juntar tambores japoneses, o Taykô, com percussão baiana.

A manipulação destas tecnologias em software livre assume uma dimensão estratégica, não pela questão de custos dos programas, o que já seria justificável, mas pelo conceito. Operar em Software Livre significa que o código fonte dos programas estará aberto, podendo ser modificado e melhorado por toda a comunidade que o utiliza. Isto é autonomia, poder. Ao contrário de capacitar as pessoas apenas para aprender a “mexer” nos programas, tornando-as escravas da máquina (e dos donos dos programas), pretendemos que nos Pontos de Cultura elas se desenvolvam como sujeitos de sua própria transformação. O software livre traz consigo conceitos e práticas de compartilhamento tecnológico, generosidade intelectual e trabalho colaborativo, estabelecendo um novo patamar de vida social.

Uma rede digital interligando todos os Pontos de Cultura viabilizará, em escala nacional, experiências de compartilhamento da gestão pública, inovando no processo de controle e participação em políticas públicas. Trata-se de uma tentativa de adotar uma concepção ampliada de política na qual a sociedade civil deve ocupar espaços participativos de deliberação pública, sem ter que assumir responsabilidades que deveriam ser próprias do Estado, preservando sua autonomia.

Software Livre

A concentração dos meios de produção nunca ocorreu de forma tão impositiva e centralizada como nos tempos atuais. Concentração que acontece a partir do aprisionamento do conhecimento e da transformação deste em instrumento para a acumulação do capital. Conhecimentos milenares são apropriados e patenteados por indivíduos e corporações, com o objetivo único de sua mercantilização, condenando, muitas vezes, milhões de pessoas à morte, como no caso da AIDS. A patente de sementes modificadas geneticamente, por exemplo, em poucas décadas poderá subtrair um direito humano básico, que é o de plantar e colher o seu próprio alimento, obrigando nova compra a cada colheita.

Assim também acontece com o código fonte da tecnologia da informação que é monopólio mundial de, praticamente, uma única empresa.

Por isso o Cultura Viva desenvolve o exercício de práticas intelectuais colaborativas e mais generosas. Por isso o software livre, e o estímulo a um sistema de trocas mais equilibrado e feliz.

O saber científico e tecnológico é cumulativo e resulta de um conjunto de contribuições desenvolvidas ao longo da história. Nossos índios são excelentes farmacêuticos, mas o seu conhecimento sobre propriedades botânicas é continuamente expropriado por piratas da consciência humana.

A Era digital coloca o mundo diante de uma encruzilhada que envolve paradigmas éticos e sociais. Por um lado, podemos caminhar para um modelo de concentração de poder e capital nunca antes imaginados. Por outro, é possível fazer surgir novos processos de produção cultural e econômica cada vez mais descentralizados, baseados na colaboração e no compartilhamento veloz de informação. Optamos pelo segundo caminho.

Um caminho a ser observado dá-se em relação aos direitos autorais. No contexto digital, os direitos autorais concebidos sob a ótica de “todos os direitos reservados” se flexibilizam, permitindo a passagem para “alguns direitos reservados” ou mesmo “nenhum direito reservado” sobre as obras criadas, protegidas agora sob novas licenças de propriedade intelectual como Creative Commons e Copyleft. Assim, a Internet representa muito mais que uma nova possibilidade interativa, onde todos podem se comunicar com todos. Ela promove profundas transformações sociais. A difusão e o acesso aos novos conhecimentos gerados local e globalmente se constituem práticas cada vez mais necessárias à cidadania do novo século. Mas, como dissemos, esta é apenas uma possibilidade, pois antes disso é necessário que a sociedade escolha qual o caminho ético que seguirá.

Metareciclagem

O processo de metareciclagem é um dos eixos temáticos da ação Cultura Digital. Seu principal objetivo é transformar equipamentos tidos como ultrapassados em tecnologias apropriadas ao desenvolvimento social. Por meio da reutilização de máquinas e componentes usados, várias comunidades podem se apropriar de forma criativa e soberana da tecnologia, decapando computadores, dominando seus códigos e fontes e até mesmo pintando o seu invólucro. Além de representar um reaproveitamento de máquinas e redução de custos, a metareciclagem visa a criação de identidade do usuário com a máquina, assegurando autonomia tecnológica voltada para o êxito e a continuidade dos Pontos de Cultura.

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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Veja como foi o primeiro seminário de formação do Ciclo Paranaense de Cultura Digital

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Integrantes de pontos de cultura de Curitiba, Região Metropolitana, Campos Gerais e Litoral do Paraná participaram nos dias 3 e 4 de agosto do seminário de formação do Ciclo Paranaense de Cultura Digital. A atividade foi promovida pelo Pontão de Cultura Kuai Tema, uma parceria entre o Coletivo Soylocoporti e o Ministério da Cultura (Minc).

No primeiro dia aconteceram debates sobre a cultura digital, gestão de projetos e um fórum dos pontos e entidades culturais. Houve a possibilidade dos participantes discutirem o conceito de mídia livre e a importância deles mesmos produzirem conteúdos e veicularem notícias a respeito das iniciativas e experiências culturais que conduzem junto às comunidades.

Entre os debatedores, contamos com a presença de representantes da Ação Cultura Digital do Minc, Thiago Skarnio, da Quixote Art, Marcelo Miguel, da equipe da TV OVO e Pontão de Cultura Focu, Jonathan Silva, Priscila Vidotto e Rafael Rigon, do Pontão Ganesha, Fabiane Berlese, e do Minc, Ana Paula Stock e Patrícia Del Claro.

Já o segundo dia foi reservado a uma capacitação técnica em produção de vídeo, áudio  internet. Todos os presentes conheceram a plataforma desenvolvida pelo Kuai Tema, por meio da qual terão disponível um blog para suas entidades e poderão se comunicar diretamente com seu público. A idéia é que por meio da organização por rede, no portal, os pontos consigam mais visibilidade para seus projetos e se articulem de modo a fortalecer suas próprias iniciativas e também de seus parceiros. Já no treinamento em ferramentas de vídeo e de áudio foram dadas noções básicas para a produção de conteúdo nesses formatos, buscando intensificar o uso das tecnologias a que todos os pontos de cultura tem acesso.

No intuito de permitir que a formação tenha seqüência, os participantes receberam uma apostila com todo o conteúdo do curso. O material, feito de forma colaborativa, encontra-se disponível aqui. Acesse e distribua.

E fique, ligados. O segundo seminário de formação, voltado aos grupos e pontos da região norte do Paraná, acontece em Cambé, nos dias 27 e 28 de agosto. Já o seminário para os pontos da região oeste ocorrerá em setembro, com data e cidade sede ainda a se definir. Comecem a esquentar as turbinas e preparem-se

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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Ciclo de Cultura Digital

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Participamos hoje (04/08) de uma oficina sobre Blogs no Ciclo Paranaense de Cultura Digital, em Curitiba (PR). A experiência foi bastante válida para aprendermos novas tecnologias e maneiras de disseminar nossa produção cultural. A ideia é que consigamos elaborar nosso próprio conteúdo, para colocarmos toda nossa produção na rede mundial de computadores (internet). O pessoal do Soylocoporti foi bastante atencioso e nos trouxe várias novidades. Obrigado pela oportunidade de acesso a estas informações tecnológicas…

Esperamos que os próximos recados, já estejam no nosso próprio blog.  Aguardem novidades…

Um grande abraço a todos!

Ass.:  Turma da Oficina.

dsc05849 230x152 Ciclo de Cultura Digital
Os participantes praticaram a edição de conteudo na internet
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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Seminário de Formação: inscrições encerradas

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Estão encerradas as inscrições para o Seminário de Cultura Digital. Os interessados que não se inscreveram devem dirigir-se na segunda-feira (3) à APP Sindicato – Rua Voluntários da Pátria, 475, 14 andar.

Para os participantes dos pontos de cultura da região metropolitana, litoral e Campos Gerais as passagens já foram emitidas e o contato telefônico feito. Foi enviado também para os e-mails o horário das passagens. Confiram e não percam o ônibus.

Dúvidas e informações, ligue para Érico (9804-4028) ou Amarelo (9695-3454)

Esperamos todos vocês na segunda pela manhã, às 9 horas. Até lá

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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Curitiba e região recebem o Ciclo Paranaense de Cultura Digital

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Curitiba receberá, nos dias 3 e 4 de agosto, o seminário regional do Ciclo Paranaense de Cultura Digital. Voltado aos pontos e entidades culturais da capital, região metropolitana, litoral e Campos Gerais, o evento é promovido pelo Coletivo Soylocoporti e faz parte da programação de atividades do Pontão de Cultura Kuai Tema. Os custos de deslocamento, hospedagem e alimentação dos participantes dos pontos de cultura serão cobertos (no limite de três pessoas por ponto). As inscrições são gratuitas e estão abertas.

O objetivo é propiciar formação nas áreas de cultura digital, gestão de projetos, internet e ferramentas de comunicação em software livre para pontos e entidades culturais. A assimilição desses conteúdos será fundamental para que a Rede de Pontos de Cultura do Paraná se fortaleça. Nesse sentido, a adesão dos pontos e atores culturais às plataformas e ferramentas de comunicação é central para que tais entidades e iniciativas alcancem visibilidade pública e maiores impactos nas comunidades.

Após os seminários regionais (que acontecem também em Cambé, nos dias 27 e 28 de agosto, e no oeste, em meados do mês de setembro) e, como conclusão do ciclo de capacitação, teremos o Seminário Estadual de Cultura Digital, que acontecera em novembro, às vésperas do Festival de Cultura do Paraná.

Confira a programação:

Dia 03/08:
9 horas – Recepção e cadastramento
10 horas – Debate sobre Políticas Culturais e Cultura Digital
12 horas – Almoço
14 horas – Oficina de Gestão de Projetos
18 horas – Jantar
20 horas – Debate sobre a Rede de Pontos de Cultura

Dia 04/08:
8 horas – Oficina de Internet e software livre
12 horas – Almoço
14 horas – Oficina de edição em vídeo
- Oficina de edição em áudio
- Oficina de gerenciamento de blog

* Para saber mais sobre o seminário e se increver, ligue para a gente: 041 3092-0463 e fale com Érico Massoli. Ou nos escreva: contato@soylocoporti.org.br

Increva-se aqui

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